Archive for the Sempre actuais Category

Pelas Ruas

Posted in Citações Desoblicuas, Sempre actuais on Novembro 26, 2008 by alchimista

Em todas as ruas te perco
Em todas as ruas te encontro

conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Mário Cesariny

Portugal
[1923-2006]

Igoratis vita

Posted in Citações Desoblicuas, Philosophias, Sempre actuais on Agosto 17, 2008 by alchimista

Como é que, sendo as crianças tão inteligentes, a maior parte dos homens é tão estúpida? Deve ser fruto da educaçã..

Alexandre Dumas


França
[1802-1870]

O Absurdo

Posted in Philosophias, Sempre actuais on Junho 2, 2008 by alchimista

Se existe algo que o Homem nunca conseguiu encontrar, esse algo é a verdade. porque no fundo, talvez tudo se possa resumir nos propósitos de Camus: o Homem, tal como a sua realidade, é um absurdo. A primeira vista, trata-se de uma postura redutora, incapacitante para uma sociedade assente em bases sólidas de conhecimento, mas talvez seja esse um dos grandes problemas do tempo em que vivemos: a aceitação sem tempo de questionar. Talvez fosse bom falar de Sartre, das verdades de Marx nos planos escolares, esses planos filosóficos abstractos, superiores ao mundo em que convivemos, mas por vezes tenho a impressão de que é mais fácil compreender a questionar quando nos deparamos com o absurdo do dia a dia, e nesse cápitulo, nada melhor do que Albert Camus.
Declaro esta semana como a semana de Camus, o Dali,Salvador absurdo estrangeiro!

Os seis I

Posted in Sempre actuais on Maio 18, 2008 by alchimista

Seis homens ficaram
bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve. Teriam que esperar
até ao amanhecer para poderem receber socorro. Cada um deles trazia um
pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se
aqueciam. Se o fogo apagasse – eles sabiam -, todos morreriam de frio
antes que o dia clareasse.

Chegou a hora de cada um colocar a sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.


O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros
cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele
raciocinou consigo mesmo: – “Aquele negro! Jamais darei a minha lenha
para aquecer um negro”. E guardou-a, protegendo-a dos olhares dos
demais.

O segundo
homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os
juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu no círculo em torno do fogo
bruxuleante, um homem da montanha, que trazia a sua pobreza no aspecto
do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas ao
valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro,
pensou: – “Eu? Dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?” E
reservou-a.

O
terceiro homem era um negro. Os seus olhos faiscavam de ira e
ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela
superioridade moral que o sofrimento ensina. Seu pensamento era muito
prático: – “É bem provável que eu precise desta lenha para me defender.
Além disso, eu jamais daria a minha lenha para salvar aqueles que me
oprimem”. E guardou a sua lenha com cuidado.


O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os
outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Ele pensou: -
“Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar a minha lenha.”


O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando
fixamente para as brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha
que carregava. Ele estava preocupado demais com as suas próprias visões
(ou alucinações?) para pensar em ser útil.


O último homem trazia, nos vincos da testa e nas palmas calosas das
mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e
rápido. – “Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a
ninguém nem o menor dos meus gravetos”.



Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última
brasa da fogueira cobriu-se de cinzas e finalmente apagou-se. Ao
alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegara à caverna,
encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de
lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de Socorro
disse: – “O frio que os matou não foi o de fora, mas o frio que veio de dentro“.

Autor desconhecido

Ad summam

Posted in Sempre actuais on Março 31, 2008 by alchimista

No final, independentemente do percurso o que conta é o que atingimos, como atingimos e o que aprendemos com os obstáculos. O caminho mais difícil para atingir um objectivo pode servir de preparação para os obstáculos impensáveis que nos aparecerão pela frente. Porque parar é morrer….