Bem Haja o jornal “Publico”

No dia do livro, o jornal “Público” brindou os seus leitores com a oferta de um livro totalmente grátis. Camus, com o seu “O estrangeiro” acabou por ter companhia nesse dia, enquanto viajava na minha mala com a sua amiga Monika Maron, e o seu “Animal Triste”. É de louvar estas ofertas, especialmente quando muito se apregoa a iliteracia dos portugueses, e a sua fraca aptidão pela leitura. Por mim pouco me importa. Quem nunca se deu ao prazer de ler Kafka deveria ser queimado numa fogueira, qual herege, privado de sono com a melódica poesia de Sophia, e direi mesmo, porque não, acusado sem saber porquê de um crime que nunca virá a saber qual foi. Mas há mais vida para além do livro, e espero pelo dia da Arvore. Qual será o exemplar que me sairá nesse dia? Uma bela cria de castanheiro num vaso? Um espécimen raro proveniente de uma qualquer região paradisíaca? Fico a espera impaciente. Mas mais importante do que esse dia (pelo menos para mim), será o dia da mulher. Ai sim quero ver a ousadia do jornal! Se é um jornal sério, eu quero uma mulher séria, se é um jornal agradável, eu quero uma mulher agradável, se é um jornal que afirma a sua voz e a sua identidade acima de tudo, sempre a cobrir os acontecimentos mais importantes, e jamais calando a sua voz perante uma outra vontade externa, então ai, nesse mesmo dia, eu não compro o jornal…

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