Ausência

Posted in Sem-categoria on Janeiro 19, 2012 by alchimista

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Ícaro

Posted in Citações Desoblicuas, José Régio on Janeiro 8, 2012 by alchimista

A minha Dor, vesti-a de brocado,

Fi-la cantar um choro em melopeia,

Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,

Ajoelhei de mãos postas e adorei-a.

 

 

Por longo tempo, assim fiquei prostrado,

Moendo os joelhos sobre lodo e areia.

E as multidões desceram do povoado,

Que a minha dor cantava de sereia…

 

Depois, ruflaram alto asas de agoiro!

Um silêncio gelou em derredor…

E eu levantei a face, a tremer todo:

 

Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!

E, misérrima e nua, a minha Dor

Ajoelhara a meu lado sobre o lodo.

 

José Régio, inPoemas de Deus e do Diabo

O Medo Da Nossa Condição Humana

Posted in Citações Desoblicuas, Philosophias with tags on Janeiro 6, 2012 by alchimista

Quando me ponho às vezes a considerar as diversas agitações dos homens, e os perigos e trabalhos a que eles se expõem, na corte, na guerra, donde nascem tantas querelas, paixões, cometimentos ousados e muitas vezes nocivos, etc., descubro que toda a miséria dos homens vem duma só coisa, que é não saberem permanecer em repouso, num quarto. Um homem que tenha o bastante para viver, se fosse capaz de ficar em sua casa com prazer não sairia para ir viajar por mar ou pôr cerco a uma praça-forte. Ninguém compraria tão caro um posto no exército se não achasse insuportável deixar-se estar quieto na cidade; e quem procura a convivência e a diversão dos jogos é porque é incapaz de ficar, em casa, com prazer.
Mas quando pensei melhor, e que, depois de ter encontrado a causa de todos os nossos males, quis descobrir a razão desta, achei que há uma bem efectiva, que consiste na natural infelicidade da nossa condição frágil e mortal, e tão miserável que nada nos pode consolar quando nela pensamos a fundo.

Blaise Pascal, in “Pensamentos”

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Posted in Citações Desoblicuas, Philosophias on Janeiro 3, 2012 by alchimista

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa – como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está? As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in ‘Último Volume’

Igoratis vita

Posted in Sem-categoria on Janeiro 14, 2010 by alchimista

“O problema do homem não está na bomba atómica, mas no seu coração.”

- Albert Einstein

Pelas Ruas

Posted in Citações Desoblicuas, Sempre actuais on Novembro 26, 2008 by alchimista

Em todas as ruas te perco
Em todas as ruas te encontro

conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Mário Cesariny

Portugal
[1923-2006]

Igoratis vita

Posted in Citações Desoblicuas, Philosophias, Sempre actuais on Agosto 17, 2008 by alchimista

Como é que, sendo as crianças tão inteligentes, a maior parte dos homens é tão estúpida? Deve ser fruto da educaçã..

Alexandre Dumas


França
[1802-1870]

“O Idiota”

Posted in Citações Desoblicuas, Philosophias on Agosto 17, 2008 by alchimista

Os
criadores e os génios, no início da sua carreira, quase sempre, e
muitas vezes até no fim, sempre foram considerados pela sociedade como
uns parvos e uns loucos — é esta uma das observações mais triviais e
sabidas

“O Idiota”
Fiodor Dostoievski


Russia
[1821-1881]

Black & White

Posted in no words on Junho 22, 2008 by alchimista

Pessoa, 120 anos depois

Posted in Citações Desoblicuas, Philosophias on Junho 13, 2008 by alchimista

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Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço.

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